Descrição

A colaboração “DIOR” une as cenas do Nordeste e do Rio de Janeiro em um trap ostentação que carrega uma forte carga de reivindicação social e racial. O tema central é a ascensão do homem negro que utiliza o consumo de luxo (Christian Dior, Lacoste, Cartier) como uma ferramenta de afirmação e vingança histórica contra a opressão. A interpretação profunda revela um eu-lírico movido pelo “ódio” ao sistema, canalizando esse sentimento para o trabalho e para a proteção dos seus (“nós por nós”). A letra celebra a liberdade dos amigos que estavam “privados” (presos) e a transição da escassez para a abundância. A proposta da faixa é mostrar que, enquanto a vigilância policial é constante (“PM sempre no faro”), a resposta da “tropa” é a multiplicação do lucro e a manutenção de uma postura inabalável, honrando figuras icônicas da cultura de rua brasileira.

 

Wow
Todo mês
Eu troco de carro (Quê?)
Os PM tão sempre no faro
(Pow, pow, pow, pow)

E meu berro
No canto do carro
Meu irmão, que B.O.
O meu berro
Não gosta de estrada

Tem uns mano’ meu’
Que tava’ privado’
Mando esse pano bom
Negro lacostado
Vai vestir o melhor

Vai piranha
Balança esse rabo (Uh)
E na rua
Nunca deixo rastro (Uh)
Esse rato vai virar churrasco

Mantenho uma tradição
De Brooklyn (De Brooklyn)
É o Nordeste, a gangue
Com a disposição
De Kelly Cyclone

Vai sarrando
Na peça do homem
Quando um mano meu
Cantar liberdade
Vou vestir meus mano’
Com peça de grife

Só Christian Dior
Só Dior
A minha gangue
Só veste o melhor
Só de ódio

Vou derrubar esses branco’
Do pódio
O que move o homem negro
Vai ser ódio
Melhor, menor

Comprei uma bolsa
Que veio de Londres
Os neguinho’ tipo México
Traficando de Ranger
Vai voar teu sangue

Vários sanguessuga’
Tentando me atrasar
Nada foi fácil pra nós
É nós por nós me’mo
Se nós não acordar
E levantar a cabeça

Qual foi daquele mano
Olhando pra tropa?
Só pode ser recalque
Esqueceu dele
Tipo Macaulay Culkin

É várias garoupa’
Grife na roupa
Ou tu sustenta
Ou reclama no SAC
Portando essa Draco

Faço dinheiro brincando
Tipo Defante
A Glock canta
Mais que o Akon
Pelo meu semblante

Meus mano’ saíram da lama
Na lama nós pisa’ descalço
Invejoso fede
Multiplicando esse lucro
Audemar Piguet no pulso

Todo mês
Eu troco de carro
Os PM tão sempre no faro
Meu irmão, que B.O.
Negro lacostado

A expressão “no faro” indica que a polícia está vigiando ou procurando por algo. “B.O.” é a abreviação de Boletim de Ocorrência, usada para descrever problemas ou situações perigosas. “Privado” é uma gíria para quem estava no sistema carcerário (preso). “Lacostado” refere-se ao uso da marca Lacoste, símbolo de status em comunidades. “Kelly Cyclone” foi uma figura icônica e polêmica da cena de rua de Salvador, representando audácia e “disposição”. “Derrubar do pódio” é uma metáfora profunda para a quebra da hegemonia branca e a ocupação de espaços de destaque. “Garoupa” refere-se à nota de cem reais (que possui o desenho do peixe garoupa). “Macaulay Culkin” é uma referência ao filme “Esqueceram de Mim”. “Draco” é um modelo de fuzil compacto muito citado no trap americano. “Audemar Piguet” e “Cartier” são marcas de altíssimo luxo que simbolizam que o tempo do artista agora vale muito dinheiro. “Sanguessuga” descreve pessoas interesseiras que se aproximam apenas pelo sucesso alheio.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música