Descrição

A faixa mergulha na complexa relação com o dinheiro, retratado como um “maldito papel” que tanto oferece solução quanto engendra problemas profundos. A narrativa expõe as cicatrizes que a busca pela riqueza deixa na vida familiar, lembrando um passado de simplicidade e união, em contraste com a ambição atual. A letra descreve a dura realidade de quem precisa levantar cedo e ser “voraz” para sobreviver, mas alerta para as ilusões, a vaidade e as traições que o dinheiro atrai. Amigos se tornam sócios, corações se corrompem, e a lealdade é testada. Apesar dos riscos e da clara consciência de que a riqueza não apaga as verdadeiras lutas, a busca por “mais, mais, mais dinheiro” persiste, revelando a dualidade de um sistema que força a todos a querer sua “cota” para ser um “guerreiro” em seu próprio caminho.

Maldito papel, fez meu tio finado e fez o meu pai réu
Fez minha mãe chorar e implorar pedindo aos céus
Que não falte a ceia, não me leve à cela (Mas)
Dizem que na mão de favelado é mó guela
Ela traz a solução acompanhando o problema
Comprar, ter amor, mas nunca vai ser daquela
Que ela que pra tá contigo enfrentaria o sistema
Fazer o quê? Mas cada um quer sua cota
Eu também quero a mim, que não seja sobra
Me mantive sóbrio, ó, que nem é meu hábito
Mas quando obtive, quiseram o meu hábito
Óbvio, só questão de raciocínio lógico
Que vários vai querer puxar o tapete cheio de ódio
E o mundo à sua volta começa a virar negócio
E até quem era amigo passa a te ver como um sócio

Só que era família reunida, um fogão de quatro bocos
Feijão das sagradinhas, os menor correndo
As contas em dia, um playground, um terreno
Meu filho, minha filha

Levanta cedo e vai atrás
Procure sempre ser voraz
Disposição pra querer mais, mais, mais dinheiro

Que corrompe até o melhor entre os corações
Transforma uma gota de esperança num mar de ilusões
Atrai vaidade, saudade e decepção
Coloca um homem abençoado sob maldição
A-a-abre caminho pro mal e pro bem
Tem de cedo ser forçado a ver
Se vale o que tem, pague o preço pra provar
Quem é, não confie em ninguém
Independentemente disso, eu quero o meu também
Maldito papel, amigo infiel
Tem em mente, tem de menos não
Nada cai do céu, não tem em mente
Separa quem quer crescer os olhos
Quem tá pelo seu, quem tá no caminho da melhor

Huh, paga seu status, seu carro, sua marra
Mas eu nunca vi apagar a bancada
Infla seu ego, a conta bancária
Mas não leva desaforo pra casa

Levanta cedo e vai atrás
Procure sempre ser voraz
Disposição pra querer mais, mais, mais dinheiro
Levanta cedo e vai atrás
Procure sempre ser foraz
Disposição pra querer mais, mais, mais dinheiro

Ganhar dinheiro, dinheiro, pra ser feliz
Vou voltar pra ganhar o meu, pô, nem vai e vem
Ganhar dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro
O meu mercado só não quer quem morreu, morou meu
Ganhar dinheiro, dinheiro, pra ser feliz
Dinheiro é foda, foda, foda
Ganhar dinheiro, dinheiro, pra ser feliz
Ser mais um príncipe, guerreiro e guerreiro
(E guerreiro e guerreiro e guerreiro)

A letra utiliza algumas gírias e expressões que contextualizam a realidade abordada. “Na mão de favelado é mó guela” sugere que para alguém da favela, o dinheiro muitas vezes se torna uma fonte de problemas, cobiça ou até um caminho para a cadeia, ou que o próprio favelado se torna um alvo fácil. “Os menor correndo” é uma forma informal de se referir às crianças ou jovens da comunidade. “Marra” denota ostentação, arrogância ou uma postura de desafio. A expressão “nunca vi apagar a bancada” indica que, apesar do dinheiro e do status, ele não é capaz de solucionar problemas fundamentais, apagar as dívidas do passado ou reverter a verdadeira origem das dificuldades. Por fim, “morou meu” é uma interjeição comum, equivalente a “entendeu?” ou “compreendeu?”, usada para enfatizar a mensagem ou pedir confirmação.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música