Descrição

Esta faixa mergulha fundo na realidade crua de quem vive à margem, pintando um retrato sincero de vulnerabilidade e resiliência. O protagonista desabafa com o “Pai”, numa espécie de confissão ou oração, revelando a dualidade de sua existência. Ele lida com o peso de seus próprios defeitos e a violência que o cerca, ao mesmo tempo em que confronta a dura verdade sobre a falta de liberdade para indivíduos negros e a busca incansável por dinheiro como escape. Há um medo palpável da morte, mas também uma recusa em ser covarde quando a “bala comer no beco”. Entre a desilusão com relacionamentos superficiais e a visão do seu bairro em decadência, surge uma força inabalável para abrir as próprias portas da vida. A melodia captura a rotina de um “plantão” que parece nunca terminar, mas que ao final traz um alívio momentâneo.

 

Pai, perdoe os meus defeitos
E toda minha vaidade
Tanta violência sem finalidade
Pai, juro que eu não ligo se eu morrer cedo

Eu percebi que um cara negro não tem liberdade
Então a minha finalidade é só fazer dinheiro
Pai, confesso pra você que eu tenho tanto medo
Mas se a bala comer no beco, eu não vou ser covarde

Meu filho saia daí
Eu sei que essas vadias não me amam
Eu sei que ninguém mais aqui se importa
Se a porra da vida fecha a porta
Pai, eu vou ter que abrir

O mundo é lindo lá fora
E eu tô vendo agora o meu bairro sucumbir
Pai, deu no relógio 7 horas
O meu plantão termina aqui (amém)

Na letra, a expressão ‘bala comer no beco’ descreve o momento de um confronto violento ou tiroteio, representando a iminência do perigo e da agressão nas ruas. Já o termo ‘plantão’ é usado metaforicamente para indicar o período em que o protagonista está ativo e exposto às realidades e perigos do seu cotidiano, como se estivesse cumprindo um turno incessante na ‘vida’.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música