Descrição

A faixa mergulha na complexidade da vida de alguém que se vê como mais um no turbilhão das ruas, lutando contra vulnerabilidades internas e externas. A narrativa transita entre a mente suicida e a busca por liberdade, revelando uma resiliência impressionante. O eu lírico descreve sua ascensão pessoal e financeira, desdenhando a superficialidade e a “corrida” da vida moderna, ao mesmo tempo em que se fortalece frente às adversidades e ao preconceito. Refletindo sobre sua origem e os perigos constantes (“armas na nuca”), a música é um grito de superação, onde o protagonista, apesar das cicatrizes e da “sede” que o consome, se declara um guerreiro que se sente mais vivo e forte do que nunca, resistindo contra todas as probabilidades.

 

Eu preciso viver, andar pelas ruas
Entre a luta do povo, eu sou só mais um rosto na esquina
Vulnerável da alma e o corpo
Um cara igual eu, com a mente suicida, precisa de pouco na vida
Nada mais pra provar pros outros
Liberdade é ponto de vista, yeh

Tudo em dia
Contas pagas
Minas rasas
Vou subindo
Sem fazer ninguém de escada
Eu acho chato essa corrida
E a abordagem de rotina, já não me intimida em nada

Eu já não sinto medo, eu me sinto mais vivo que antes!
Eu preciso viver, eu me sinto mais forte que antes!
Eu preciso viver, eu me sinto mais forte que antes!

Era julho de 2001, mais um neguinho na rua
Mais um filho de mãe preta
Mais um de canela russa
Mais um sonhando com tudo, sem nenhum medo do mundo
Mesmo com as armas na nuca
Bem no meio da divisa, entre a palmeira e o muca

E eu peço perdão por todas às vezes
Todas as crises
Todas as cicatrizes
Causadas pela sede
O meu final vai ser triste
Sou como um peixe na rede que enfrenta o medo e tentando fugir, resiste

Eu sou um guerrilheiro, eu me sinto mais forte que antes!

Eu preciso viver, eu me sinto mais forte que antes!

A música apresenta termos culturalmente carregados: “minas rasas” descreve relacionamentos superficiais ou mulheres com pouca profundidade; “neguinho” é uma forma de autoidentificação afetuosa e de pertencimento racial em um contexto de comunidade; “canela russa” alude a pernas finas, muitas vezes associadas à realidade de quem vive nas ruas ou em condições mais difíceis; “abordagem de rotina” refere-se às constantes e muitas vezes intimidatórias paradas policiais, frequentemente ligadas a perfilamento; “palmeira e o muca” possivelmente indica uma referência geográfica específica, talvez a uma comunidade ou favela, denotando um ambiente de risco; e “sede”, no contexto das crises e cicatrizes, sugere um desejo profundo e muitas vezes destrutivo, seja por poder, dinheiro ou um vício.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música