Noites traiçoeiras – feat Mc Luanna

Descrição

A faixa mergulha fundo na realidade da correria, pintando um cenário onde a parada é louca e o tempo não permite moleza. Quem canta se vê como uma figura essencial, abastecendo a rua com novas ideias e mantendo a visão de águia sobre tudo. A letra fala sobre a necessidade de fazer grana para sustentar a família, a rejeição de qualquer bandeira de paz diante da derrota e a construção de uma identidade própria em meio a um “cenário feio”. Há um toque de lealdade aos seus e um senso de missão, vivenciando noites frias e traiçoeiras, mas sempre firme na ladeira. A música ainda explora a cautela em relacionamentos e a dureza da vida, onde só quem passou veneno permanece. No final, uma voz feminina reflete sobre a resiliência de uma mulher preta na selva, que, apesar das cobranças e erros passados, endureceu para enfrentar o mundo, valorizando sua quebrada mas sem passar pano para o que não presta. É um hino de força e superação, vindo das ruas para as ruas.

 

Bradock, han
Phew, phew
Hey, hey

De volta à rua, novos planos (hã)
É-é uma corrida sem parada, eu não posso ter folga (não, não)
Igual senhor das armas
Te abastecendo todo dia com uma ideia nova
E eu tô entre vermes e cobras
Sem bandeira de paz, sem aceitar derrota (hã)
Outro tipo de rap
Tipo os amigo me escutando na casa de endola (pow, pow)
Vim pra fazer dinheiro
Uma casa pra sustentar, não posso perder tempo
(Eu não vim a passeio) eu não vim a passeio
Eu sou uma estrela do rap, note o crescimento (hã, okay, okay)
Daqui, nós tá mantendo
Nós é o verdadeiro crime de um cenário feio (ahn, Bradock, han)
Nós nunca foi espelho
Criando nossa identidade nesse tabuleiro
E eu tava com meu mano na trincheira, plena terça-feira
Lavando o ódio embaixo do sereno
E ainda, se vierem noites frias, traiçoeiras
Você pode ter certeza: Da ladeira, eu tô mantendo (pow, pow, pow, pow)
Na visão de águia, eu observo o movimento
Daquela pretinha dançando aquecimento
Palavras bonita, olhar que atiça
Mas se ela tiver no crime, eu vou tá duro igual cimento
E se o barato é louco, processo é lento
Esse é meu momento, só vai ficar quem passou veneno
E se não fosse o coração, acho que eu tinha parado (ele é cruel)
Ele é cruel, mas quase nunca tá errado
É quente, igual as tarde no meu bairro (ahn)
Pense: Onde nós teria parado?
Sempre preparado, eu vou morrer na linha de frente
Te trago rimas quentes como um Japeri lotado (ahn, ayy, ayy)

Aham, cê sabe que eu tenho um ponto, você tem sorte de me ver hoje
Aham, quando eu quero seu suporte, enterro sentimento e não jogo flores
Uma neguinha desenrolada na selva
Concretou madeira, faço o movimento
A autoestima sempre quer bater na sexta
Me empolgou com ela, igual gilete na parede
Uma mulher preta que não pode errar com o mundo
Mas errei comigo quando ninguém nunca tava
No silêncio, andava e peitava uns vagabundo
Que zoava quando eu rimava minhas parada
Amo minha quebrada, mas eu não posso passar pano pra safado
Às vezes, um susto antecede os meus atos
Por isso, cerquei com dois carro preto parado (aham)
O certo contra o errado
Qual a preferência de taça cheia ou vazia?
Eu nasci pobre, às vezes, fui muito otária
MC Luanna me fez ser uma mulher fria (okay)

A faixa está repleta de termos que mergulham no universo das ruas, como “casa de endola”, referindo-se a um local onde se preparam substâncias ilícitas, ou “verdadeiro crime de um cenário feio”, que exalta a autenticidade e a representatividade da verdade nua e crua das periferias. Estar com o “mano na trincheira” significa enfrentar batalhas e dificuldades ao lado de um companheiro leal, e “lavar o ódio embaixo do sereno” expressa a catarse e o confronto com sentimentos duros em um ambiente solitário. “Da ladeira, eu tô mantendo” reafirma a resistência e a manutenção da ordem em seu território, enquanto “se ela tiver no crime, eu vou tá duro igual cimento” descreve uma postura inabalável e firme diante de envolvimentos perigosos. “Passou veneno” denota ter superado grandes adversidades e sofrimentos, e “morrer na linha de frente” simboliza a total dedicação e sacrifício por uma causa. A comparação “rimas quentes como um Japeri lotado” ilustra a intensidade e o impacto avassalador das rimas, remetendo à imagem de trens superlotados. Uma “neguinha desenrolada na selva” é uma mulher preta inteligente e resiliente que prospera em um ambiente hostil. “Concretou madeira” sugere solidificar algo que era frágil ou construir bases fortes, e a expressão “gilete na parede” descreve uma situação de alto risco ou delicadeza. “Peitava uns vagabundo” significa confrontar pessoas problemáticas, e “passar pano pra safado” é acobertar ou relevar a má conduta de alguém, enquanto “cerquei com dois carro preto parado” indica uma demonstração de força ou vigilância.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música