Descrição

A faixa mergulha fundo num universo sombrio, onde a vida é um emaranhado de planos cortados e escolhas difíceis. Ela narra uma existência marcada por quem usa e é usado, onde a linha entre admiração e medo é tênue. A letra explora a dor de ser “quebrada” e ter traumas, mas ainda assim enxergar a beleza e a chance de um milagre no meio do caos. Critica a hipocrisia social, questiona quem são os “noias” de verdade e escancara a poluição sonora e moral das ruas. A canção também conta a história de alguém que buscou justiça, conquistou seu espaço e família, mas acabou caindo numa “casinha”, perdendo tudo. É um retrato visceral das consequências de um jogo perigoso, onde a vigilância é constante e o preço da ambição pode ser a perda irreversível, deixando apenas vozes e fantasmas do passado.

 

Her ways look good, but she’s a highway to the grave
Leading straight to the Chambers of Death, haha

Onde os planos se cortam no canto exterior
Tem comércio de droga, tem comércio de amor
Tem gente que sempre uso, gente que já me usou
Me conheceu apostando, me esqueceu quando ganhou
Perdeu e voltou
Se pá, tenho daddy issues, só me fazem cada vez mais hostil
Não querem que eu me envolva com o sujeito, viu?
Mas a minha sina é o tipo facínora
Sou sempre citada por gente que não é íntima
E não entendo, me usam pra admiração e também pra medo
Eles são meu futuro ou sou futuro deles?
Às vezes me trocam por grades e paredes
Eu tenho traumas, sou quebrada, não consegui vencer
Tenho fissuras que, por elas, você pode ver
O improvável acontecer, flor nascer
Enxergar o melhor no meu pior lugar
Pode um milagre, enfim, lucrar e vender
Não tem portas, mas eu bato
Forte é o abraço, talento, sem palco
Movimentos, protestos por mortes e cortes
Nomes sujos, com limpas caminhadas (uhn, uhn)
Pisam em mim, mas nada me toca, nada me para
Sabia, curvas são fatos, mas nem sempre a saída
Visão de túnel, eu preciso, presencio muito (aham)
Roubo e propaganda de caridade, vestido
Será que só pobres são noias?
E eles dizem que quando chove, molha
Luzes giram enquanto tocam
Poluição sonora

Uh, uh

Rodo muito lucro, tiro, levo muito
Me pagam, me tomam
Me batem, eu mato, aprendi meu dogma
Sujo o jogo o tempo todo, meu corpo alerta
Não posso fechar o olho, irmão, me toma se eu pescar
Um urubu pra cada lugar, já ouvi essa história
Brilhava os olhos com o glamour de ser conduz e forga
Ser visto e amado fácil, pouca Maria Fuzil
Se ateve ao plano e concretizou seu sonho
De ter a justiça na mão e honrar cada missão
E agora, era o bichão e tinha uma família, enfim, até que armaram uma casinha
Viu no ar: Verdade crua igual sushi
Não era só ter disciplina
Fez tudo parecer um delírio, agora vive perdido no bosque
Plantando ossos, perdeu o seu menino
Hoje carrega vozes e não caminha mais sozinho

Uh-huh

A letra traz termos que pintam um cenário bem específico: “daddy issues” aponta para questões psicológicas ligadas à figura paterna, que podem levar a uma atitude hostil; “noias” é um termo pejorativo usado para se referir a viciados em drogas; “pescar”, no contexto da música, significa ser pego desprevenido ou vacilar, algo perigoso num ambiente hostil; “Maria Fuzil” é uma expressão popular para mulheres duronas, muitas vezes envolvidas no mundo do crime ou que impõem respeito pela força; “bichão” descreve alguém que se tornou poderoso e temido na rua; e “casinha” se refere a uma armadilha ou emboscada cuidadosamente montada para derrubar alguém.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música