Descrição

A faixa mergulha na realidade crua e complexa de quem vive imerso no cotidiano do crime, especialmente no contexto de uma comunidade. A narrativa é construída sob a ótica de um indivíduo que, desde cedo, se vê enredado na “vida louca”, com a constante ameaça de confrontos e a necessidade de vigilância. A letra expressa a dualidade entre a ambição por uma vida melhor e a resignação diante das circunstâncias, questionando o papel do Estado e a visão da mídia. Há um forte senso de lealdade à “tropa” e à “gestão” do crime, ao mesmo tempo em que lamenta as perdas e a falta de oportunidades, pintando um retrato multifacetado da sobrevivência e da busca por respeito e sucesso, mesmo que por caminhos marginais.

 

Ariel Donato
Tz da Coro

Mochila nas costas, radinho e colete
Minha coroa fala que isso é ilusão
Little Hair, acorda, vamo tomar a frente
Segura esse pente, nós tá jogadão
É frieza na troca de tiro
A adrenalina dominou meu coração
Quadrado formado, sabe que é aquilo
Um por todos e todos pela gestão
Mano, eu vou subir por lá
Desentretar no morro o G3 que eu deixei no óleo
Um mandado lá de baixo não vai subir
Eu palmeio toda vez que eu olho
Os menor aqui tem peça pra dar tiro
Não pra se amostrar em dia de baile
Nota só de 100 sabe que é aquilo
Final de semana é nós de sucessagem

Se tem gente pra comprar, vai ter alguém pra vender
Consciente aqui nós tá, mas posso fazer o quê?
Minha ambição de conquistar é a mesma que você
Onde todos querem chegar, mas nem todos vão poder

Boladão com a vida, vida louca
Mano, eu tô na boca desde menorzão
No meu porte tem uma Glock de roupa
Seja Sol e chuva, eu tô no meu plantão
Vários bico novo tudo adaptado
Kalashnikov com a mira laser
Com bala na agulha e o pente alongado
É maluquice tu tentar contra o bairro 13
Nós tá fazendo a ronda e o vapor presta a conta
E o atividade? Tá com a visão ampla
Brechando tudo no alto da laje
Monitoro os becos da favela, ainda vejo a vista da minha cidade
Alemãozinho é melhor nem tentar com minha tropa, senão tu vai virar saudade
Quantos amigos que hoje tá lá dentro
Que tá aguardando sua liberdade
Vários morador e trabalhador que perderam a sua vida pro estado covarde
E a mídia falando besteira achando que sabe da realidade
Patricinha subindo o morro pra dar pra bandido no final do baile

Se tem gente pra comprar, vai ter alguém pra vender
Consciente aqui nós tá, mas posso fazer o que?
Minha ambição de conquistar é a mesma que você
Onde todos querem chegar, mas nem todos vão poder

Se tem gente pra comprar, vai ter alguém pra vender
Consciente aqui nós tá, mas posso fazer o que?
Minha ambição de conquistar é a mesma que você
Onde todos querem chegar, mas nem todos vão poder

Oh fé

A letra explora o universo do tráfico com gírias específicas: “pente” é o carregador de arma; “nós tá jogadão” significa estar profundamente envolvido nas atividades; “quadrado formado” e “gestão” descrevem a estrutura organizacional do crime. “Desentretar no morro o G3 que eu deixei no óleo” é preparar uma arma guardada na favela. “Palmeio” é contar dinheiro ilícito, e “peça” é sinônimo de arma. “Dia de baile” é a festa na comunidade, onde se faz a “sucessagem” (ostentação de ganhos). “Boca” designa o ponto de venda de drogas, e “menorzão” desde criança. “Glock de roupa”, com “bala na agulha” e “pente alongado”, descreve uma arma disfarçada e pronta para uso, com maior capacidade. “Bairro 13” é um território. “Vapor presta a conta” quando o vendedor reporta faturamento. “Atividade” e “brechando tudo no alto da laje” são termos para vigilância. “Alemãozinho” é pejorativo para policiais ou rivais, e “tropa” a equipe. “Virar saudade” significa morrer. “Patricinha” é uma jovem rica, e “dar pra bandido” refere-se a se envolver sexualmente com criminosos.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música