PARÇA, NUNCA FOI FACÍL

Descrição

A faixa mergulha na realidade crua da quebrada, onde o narrador reflete sobre um passado de cansaço e empregos ingratos. A busca por respeito e por mostrar à molecada que é possível vencer, mesmo vindo de baixo, é um dos pilares. Ele celebra as conquistas, como a capacidade de se vestir bem e frequentar lugares VIP, desmistificando a ideia de que o progresso na favela se resume a carros caros ou bebidas de luxo. A letra é um manifesto de superação, lealdade e orgulho de suas raízes, mostrando a evolução de rimar no quarto para cantar em um estádio, sempre levando o nome da comunidade e buscando um futuro de tranquilidade financeira.

Par-Parça, parça, nunca foi fácil
Eu odiava todos meus trabalho’
Eu ‘tô cansado de acordar cedo pra esses otário’
Eu dou uns trago’ na praça, antes de pegar o busão
Se os cop’ ’tá passando, eu pego a baga e dou uns puxo’ (Woah, woah, woah)
Eu nunca acreditei nessa de, “Não deve, não teme”
Se o mangue ‘tá em paz, nós não precisa de PM
Que às vezes, por dentro eu ‘tô um lixo
Neguin’ faz entrevista sem o money do currículo
Eu ostento memo’, pra molecada ver
Que eu sou preto, vim de baixo e você pode ter também
Que o progresso pra quebrada não é andar de nave
Nem beber whisky, é passar de 1100
É que nós cresceu assim, nós foi ficando assim
Eles acha’ que nós vende’ porque nós ‘tá sempre chique
Na balada, camarote, nós é sempre VIP
Escuta o ronco do motor, que nós ‘tá passando aí
Esses branco ‘tá pousado, o kit ‘tá pesado
Eu ‘tô bolando um plano e o LEALL bolando um baseado
É que nós já ‘tá ligado, sempre vim protegido
Não colo com safado, não fecho com talarico (‘Cê ‘tá fodido)
Mato esse boom-bap igual seu ídolo, fraco
Te aposento e bolo um fino, eu ‘tô tranquilo
só me deu mó’ perigo
Eu ligo o Maza, meus parça’ ‘tá vindo
Ó esses boy, achando que tudo foi [?] loja
Os moleque’ de pista, fuga no [?], não passa nada
Morador já sabe a caminhada
Os moleque’ faz uns rap e leva o nome da quebrada
Rimava dentro do quarto e hoje eu canto prum estádio
Se o cash cai na conta, nós já fecha’ logo um lounge
‘Cê ‘tá tonto, se o som não bate, eu não ligo mais
Eu só quero ter respeito e rimar como o meu pai (Woah)

A letra é rica em termos do universo do trap e da periferia. “Tragos” refere-se a puxadas de cigarro ou baseado, enquanto “baga” é uma gíria para baseado. O “mangue” simboliza a comunidade ou favela, onde a expressão “não deve, não teme” é ressignificada pela dura realidade local. “Money do currículo” busca um dinheiro de emprego formal e estável. Na “quebrada” (favela), “passar de 1100” (alcançar uma renda estável acima do mínimo) é sinal de progresso. A expressão “branco ‘tá pousado” descreve uma posição de privilégio, e um “kit ‘tá pesado” significa um visual caro e impressionante. O verbo “bolando” tem duplo sentido, significando tanto planejar algo quanto enrolar um baseado. Em contraste, o “talarico” é quem cobiça a parceira alheia. “Boom-bap” é um estilo clássico de rap que a letra desafia ou supera. “Maza” parece ser um contato ou apelido no círculo do narrador. Os “moleque’ de pista” são jovens das ruas, às vezes envolvidos em “fuga” (perseguições), e sua “caminhada” é a jornada de vida. Por fim, “som não bate” indica que a música não tem qualidade ou não agrada.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música