Descrição

Essa faixa é um grito contundente sobre as realidades da periferia e a essência do movimento rap. A letra narra a vivência de um jovem, filho de uma figura emblemática do gueto, que se depara com o preconceito policial e a hipocrisia do sistema. Há uma crítica afiada à forma como a elite tenta se apropriar da cultura, enquanto a comunidade é marginalizada e oprimida. A música também faz uma reflexão melancólica sobre a trajetória do próprio rap, questionando se o glamour e a vaidade corromperam os ideais de luta e resistência que marcaram as gerações anteriores. É um chamado para manter a memória viva, reafirmar o poder do rap como ferramenta de respeito e persistir na batalha pelo movimento gueto, sem se dobrar às pressões comerciais ou esquecer as origens. A canção é um manifesto de autenticidade e compromisso com a causa.

 

Bagulho tá louco moro tru
Cê não mete o birutão
Já falei sou o Zekinha
Sou o filho do Kaskão
Trilha Sonora do Gueto vida loka de menor
Só se liga nessa fita, nessa fita liga só
Tava eu de RR com meu pai na moral
Quando a força ganhou nóis meteu logo o especial

Dicumento, RG o estive é o Kaskão
Como se já não bastasse tá com a nova geração
E eu fiquei só ganhando o coxinha resmungando
Preconceito com meu pai que foi só desenrolando
Até quando vai durar esse tipo de atitude
A coxada pra elite querendo ser robin hood
Nóis do gueto é tratado como se fosse ladrão
Coagido, ameaçado pelos donos da razão

Como pode é o seguinte tando lá, eu e você
No portão da minha casa só que no mó proceder
Os cara vem distorcer o que é obrigação
Sua cara é vigiar, não oprimir sangue bom
Engraçado que quando o Morumbi tá balançando
Que o cargo do governo no estado tá sambando

Vocês vêm aqui no gueto mata 1, 2, 3
Põe a cara no Datena e diz a nossa gente fez
Até quando, até quando, que vocês vai imperar
Tô crescendo, observando e não me canso de falar

Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis ainda luta pelo movimento gueto
Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis é desse jeito Trilha Sonora do Gueto

Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis ainda luta pelo movimento gueto
Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis é desse jeito Trilha Sonora do Gueto

Como pode, quem diria que então ia chegar
Essa briga do glamour do primeiro lugar
Fico só observando ao mesmo tempo comentando
Que o discurso do passado tá entrando pelo cano
Não sei se é vergonhoso ou se eu que sou careta
Mais pra mim a vaidade corrompeu sua caneta
20 Anos de luta foi jogado numa fossa
Tá ligado morô tru do Cascão eles não gosta

Porque ele é forgado fala memo o que pensa
Vida loka original nem aí pra consequência
Parabéns ao meu caro Eduardo Facção
Mediante a esses fatos continua na missão
Sempre firme pela guerra respeitando aí os seus
50 Mil manos que não se arrependeu
A TV tentou dum lado
A maçom tentou de novo

Devagar minou as base, hoje tá dentro do jogo
Deixa de ser preguiçoso vai estuda a história
E responda quem do rap não perdeu sua memória
Nóis não gosta de polícia
Nóis não gosta de sistema
Nóis não dava entrevista
Nóis não gosta de problema
Nóis não ia na TV
Nóis não tinha vaidade

Nóis pagava que é favela bem no centro da cidade
Ei cadê? O que houve me responda quem puder
O discurso Malcom X, Marter Luther King né
Virou camarote com whisky, Red Bull
Mulherada nas orgias hoje nóis é só mais um
No começo tudo forte tudo chei de teoria
Contra a droga, o sistema e toda patifaria
Vou dizer que o bagulho tá mesmo daquele jeito
Nosso rap gângsta tá perdendo o respeito

Hoje eu vejo a diferença do que era pu que é
E me sinto um jegue amarrado num canto qualquer
De ’90 a 2000 se passaram 10 anos
De 2000 a doze, treze se frustraram os nossos planos
De ser um movimento alternativo de poder
Para o povo preto, pobre eu vou fala o que pu cê
Tô ligado que cê vai paga que evoluiu
Se evoluir for isso tô de boa nem me viu

Pois pra mim evoluir, é você mudar de estado
Não mudar filosofia, fazer jogo do diabo
Na antiga eu Kaskão
Era só um ex ladrão
Hoje formado em direito tenho a mera opção
De mostrar para os meus seguidores fiéis
A diferença tá em mim do que era, pro que és
Livre arbítrio morô jão
Simplesmente sou Kaskão, vida loka, kamikaze
Que não falha na missão

Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis ainda luta pelo movimento gueto
Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis é desse jeito Trilha Sonora do Gueto

Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis ainda luta pelo movimento gueto
Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis é desse jeito Trilha Sonora do Gueto

Eu já não sei se é razão toda essa patifaria
Me esqueci quando o gueto teve um dia de alegria
Meu pai fica escutando um ai tal de Tim Maia
Que cantava poesia que o bem predominava
Como vai dizia ele, você velho camarada

Conte-me a sua história e como vai a sua amada
Que noticias que você tem ai pra me dizer?
É Tim Maia de verdade cê não queira nem saber
Tá tudo descontrolado os valores tá mudado
Quem devia tá caçando, hoje tá sendo caçado
É melhor você fica aí aonde você tá
Dá um toque na Elis, Regina, se você tromba

Diz que meu pai dela é fã, que eu cresci observando
Ele escutando vocês, deitado no seu divã
Aproveita e fala meu recado para todos
O militarismo aqui continua como fosse
Manda quem pode, obedece quem tem juízo
Ditadura democrática só se liga no que eu digo

Eu vou parando por aqui a gente luta como pode
Claro que o sinal fechou pra gente que ainda é jove
Os heróis do meu pai tá no seu computador
Tem o Hyldon, a Elis, Tim Maia, Paulo Sérgio

Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis ainda luta pelo movimento gueto
Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis é desse jeito Trilha Sonora do Gueto

Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis ainda luta pelo movimento gueto
Rap é poder
Nóis é o respeito
Nóis é desse jeito Trilha Sonora do Gueto

A faixa é recheada de termos da vivência periférica. “Moro tru”, “tá ligado morô tru” e “morô jão” são formas informais de dizer “entendeu, de verdade?”. “Não mete o birutão” significa não agir de forma imprudente. O “vida loka”, seja “de menor” ou “original”, refere-se a um estilo de vida de resiliência e autenticidade na quebrada, vivenciado desde cedo. Uma “fita” é uma situação, e “liga” é “preste atenção”. “Força” designa a polícia, e “meter o especial” significa reagir rapidamente. “Coxinha” e “coxada” são termos pejorativos para a elite e suas ações preconceituosas, enquanto “donos da razão” ironiza quem se arroga autoridade. “No mó proceder” expressa agir corretamente, e “forgado” é atrevido. “Entrar pelo cano” significa falhar, e “careta”, nesse contexto, descreve quem perdeu os valores iniciais do rap. “Vaidade corrompeu sua caneta” critica a mercantilização da arte. “Minar as base” e “estar dentro do jogo” sugerem corrupção e cooptacão pelo sistema. “Pagava que é favela” mostra o orgulho pela origem. Sentir-se um “jegue amarrado” indica impotência, e “pagar que evoluiu” é fingir um progresso superficial. “Fazer jogo do diabo” é ceder a compromissos morais, e “kamikaze” descreve alguém destemido. “Dar um toque” é avisar, e “trombar” é encontrar. Referências culturais como “Kaskão” e “Eduardo Facção” citam figuras importantes do cenário. “Morumbi balançando” e “cargo sambando” descrevem instabilidade política. “Põe a cara no Datena” alude à exposição negativa na mídia, e “Ditadura democrática” critica a ilusão de democracia. Por fim, “o sinal fechou pra gente que ainda é jove” lamenta a falta de oportunidades.

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