Descrição

A faixa nos leva a uma jornada intensa de transformação e superação, onde o narrador trocou um caminho de perigo, simbolizado pelo ‘gatilho’, pela voz e pela música. Ele celebra o reconhecimento e o sucesso, mas mantém os pés firmes no chão, priorizando o apoio à família e a luta por justiça social. Há uma reflexão profunda sobre as dores raciais, a ausência paterna e as desigualdades, questionando a disparidade de tratamento e pedindo liberdade. A letra pinta um quadro da realidade nas periferias, com suas dificuldades e a resiliência de quem busca dias melhores. Mais do que fama, o artista anseia por deixar um legado de sentimentos bons e fazer história, sem precisar de um fim, compartilhando abertamente sua vulnerabilidade e a paixão pela arte que é o ‘jazz pra sua alma’.

Yeah
Celo, você é foda
Ahh, jazz pra minha alma

 

Eu nunca vi tanta gente me aplaudindo
O coração dispara e o corpo já treme
Só pensar que eu troquei o gatilho
Por um microfone e um som mais ou menos
Todo o cachê que eu ganho hoje em dia
Eu nem acredito tá tudo perfeito
Só que eu ajudo a metade da família
E eu nem cobro nada não é pelo dinheiro
Ô mãe, cê tá bem? Então tô também!
Queria que meu pai fosse mais presente
Só que sendo preto e pai de quatro filho
Eu juro, meu velho, que eu te entendo
Cês tem que entender que ainda não tô rico
Mas nós tá vencendo e eu tô vencendo
Quando eu tiver grana vocês vão saber
Porque eu não vou deixar ninguém passar veneno
Isso é pela cor, ou pela justiça?
Se um dia eu morrer não quero ninguém triste
Acende uma vela daquela do japa
Pede mais tabaco pra por no haxixe
Na esquina do morro já tem viatura
E uma biqueira com vários irmão
Tem mano que odeia levar essa vida
Que chora só de ouvir uma oração

 

E eu peço pra Deus, liberdade, Senhor
Tem vários que caiu e nunca mereceu
Se for pra falar da justiça do homem
Por que vários branco aí não morreu?
Mas será que pra eles dinheiro é tudo
Mas se for também já não é minha culpa
Cês pode ficar com o dinheiro do mundo
Nós só tá pedindo de volta a cultura, porra
Dfideliz

 

É, eu prometi a mim mesmo que depois desse álbum
Eu ia cuidar do meu coração, tá ligado?
Eu queria que vocês sentissem o meu coração
E prometessem pra mim que vocês iam cuidar dele
Assim como eu tenho todo o cuidado de cuidar do de vocês, tá ligado?
Eu sei que lidar com saudade deve ser muito foda
Mas eu queria muito que as pessoas sentissem saudade de mim
Se um dia eu partisse
Mas isso não é uma despedida não, e nem quero me despedir
Na real eu quero fazer história, e sem precisar morrer
Sei lá, eu sou o Felipe, filho de Oxóssi, filho da Dona Rosana
Do Kleber Micaela, pai do Arthur, e, sei lá
Fica com isso pra vocês
E quando vocês ouvir meu nome
Eu quero que vocês sintam o melhor sentimento do mundo, tá ligado?
Assim como eu me senti todas as vezes que eu fui pro estúdio gravar esse álbum
É, se você conseguiu sentir esse álbum, esse é todo o meu coração
Isso é tudo de mim e esse é o jazz pra minha alma
(Tchau!)

Na faixa, várias expressões e termos culturais são empregados para pintar um retrato vívido da realidade. ‘Gatilho’ é usado metaforicamente para simbolizar um passado de perigo ou crime que foi superado pela música. ‘Passar veneno’ descreve o ato de enfrentar grandes dificuldades e sofrimentos. Uma ‘biqueira’ é um ponto de venda de entorpecentes, comum em periferias. A frase ‘vários que caiu’ refere-se a pessoas que foram presas, detidas ou que morreram, muitas vezes em circunstâncias ligadas à violência. A menção de ‘filho de Oxóssi’ revela a conexão espiritual do artista com a cultura afro-brasileira, especificamente a religião Candomblé. Por fim, ‘jazz pra minha alma’ é uma metáfora poderosa para algo que traz paz profunda, prazer e ressonância espiritual para o eu interior do artista, e a referência à ‘vela do japa’ e ‘tabaco pra por no haxixe’ ilustra elementos de rituais ou práticas presentes em seu ambiente.

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