A faixa “ÚLTIMA VEZ” mergulha na estética crua do Trap para narrar a intersecção entre o sucesso financeiro, o abuso de substâncias e a complexidade de um relacionamento instável em um cenário hostil. O eu lírico utiliza metáforas como “coletar peixes” para ilustrar a prosperidade econômica, enquanto busca nas drogas um refúgio para conflitos pessoais. A narrativa ganha profundidade ao situar o romance na cidade do Rio de Janeiro, onde a violência — representada pelo som dos fuzis — serve como pano de fundo que dificulta a manutenção do afeto. Há um sentimento de urgência e melancolia, onde a entrega física ocorre “como se fosse a última vez”, sugerindo uma consciência da finitude e do perigo iminente. A obra encerra com uma reflexão filosófica sobre o caos ser o ponto de partida para a criação, unindo a agressividade do gênero com uma sensibilidade poética sobre o desamor.
Nesta letra, “coletando peixe” refere-se ao ato de ganhar dinheiro, já que a nota de cem reais brasileira possui a estampa de uma garoupa. “Draco” é uma referência a um tipo de fuzil ou pistola compacta de alta potência, simbolizando como o artista lida com ameaças. O termo “lean” descreve uma bebida recreativa à base de codeína, e quando ele diz que “baqueou”, significa que sentiu o efeito forte da substância. A expressão “onda da drug” reforça o estado de entorpecimento. Quando menciona que o “fuzil canta”, o autor utiliza uma personificação comum no subúrbio carioca para descrever o som dos disparos em áreas de conflito. “Skrrt” é uma onomatopeia que simula o som de pneus derrapando, muito usada para indicar velocidade ou transição de assunto no trap, enquanto “deságua em mim” é uma metáfora profunda para a entrega emocional e física total da parceira durante o ato íntimo.