Descrição

Esta faixa mergulha fundo nas complexidades da existência, pintando um cenário de opressão e desilusão. O eu-lírico transita entre a oferta de salvação e o reconhecimento das armadilhas da vida, questionando a verdadeira natureza das promessas e a autenticidade das relações. Há uma jornada de superação pessoal, de um passado de solidão e vícios, para a busca por dignidade e propósito. A riqueza e o sucesso são retratados como ferramentas de revolução, mas também como fontes de novas cobranças e a incapacidade de fechar ciclos. Em meio a referências históricas de liderança, a faixa clama por humanidade e conexão genuína, desafiando a conformidade e a superficialidade em um mundo que muitas vezes parece um circo, onde o sofrimento é uma constante e a paz uma utopia distante.

 

Ah-ah
Ah-ah-ah-ah-ah
Ah-ah-ah-ah-ah

Amor, olha pra esses muros
Amor, olha pra essas grades
Não querem que tu veja o Sol
Querem que tu se perca só
Amor, perceba as armadilhas (ah-ah)
Amor, perceba as distrações (ah-ah)
Querem que você sangre só (ah-ah)
Querem ver o seu sangue

Eu posso te salvar, se você quiser
Te fazer saltar, ser sua fé
Enquanto servem medo e desespero
Posso te mudar sem mudar seu eu (aham)
Eu não sou anjo, mas não sou demônio
Que te causa insônia e te vende um sonho (eu não)
Olha, só não confuda com pegar no colo
E te vender o óbvio, ou um falso código, ou motivos mornos (eu não)

Um dia, eu me vi sozinho e reparei, isso é um circo
No alto da janela, eu me convido ao suicídio
Eu tenho medo da cobrança, então logo desisto
Acho que a solidão é um vício
Fiquei rico e não aprendi a fechar ciclos
Fiquei rico, apertaram minha mão, BK’ disse: Tu é o melhor da geração (ah-ah)
Infelizmente, todos sabem que eu quero o cifrão (ah-ah)
Preto com grana é uma revolução (ah-ah)
Eu mataria pela dignidade
Tirei os amigo do crime, nego, eu fiz minha parte
Eu lidero todos os leões da minha cidade
Eu sou Mandela, eu sou Abebe, eu sou Gustavo, eu sou Martin
O brilho no olhar de cada menorzinho
Um anjo ou um demônio, a relação entre Jesus e o vinho
Na santa ceia também tinha inimigo
E tu achando que todos esses cara são teus amigo
BG (eu não)

Amor, não tô pedindo nada além do que cê pode dar
Você me prometeu o céu, mas eu já tenho asas
E meus pés tão calejados demais, cê tem mania de herói
Heróis são leais e fiéis, você não curou onde te dói
E diz que vai me mudar, o mundo é grande demais
Nenhum muro é grande demais, além do que está entre nós
Com asas de um Ícaro e âncora nos pés (querendo voar)
Me dê a sua mão, não solta minha mão
Não anjo e nem demônio, eu te quero humano
Te quero comigo (prefiro caminhar)
Me dê a sua mão (ah-ah), não solta minha mão

Quase me tornei um monstro pra derrotar o monstro
E se for única forma de sair dos escombros?
E se for única forma de levantar de um tombo?
E se for única forma de verem meu tamanho? Ok
Eu odeio pensar na vida, sempre que eu penso na vida, outra guerra se inicia
Queria ter um pouco de paz na alma, mas as flores não ferem as armas
A gente quer dominar tudo pra ver se nisso tudo tem algo que faz sentido, que vale a pena estar vivo
Verdadeiros motivos, verdade no que eu rimo
Pra não falar demais fazendo o mínimo
Nunca te tratar como algoritmo, tratar como algo único
Algo pra mudar meu ritmo, algo que eu preencha o fundo
É que ainda somos escravos, olhe ao redor, tudo é desgraça
Olhe ao redor, tudo sai caro, sofrimento ainda é de graça, uh

(Ah, ah-ah)
Mesmo com o tempo fechado
Eu faço o que tenho que fazer
Ele–, ele–, ele–, ele–, elevando o nível (ah-ah)
Eu olho pro infinito
E a, e a, e a, e a, e a, e a, e a vida me deu pouco, falta do básico (ah-ah-ah-ah)
Mais que o necessário, eu quero muito mais que o troco
Lugar de ser foda-se, me paga
Vai ser foda-se, eu me pago (ah-ah-ah, ah-ah)
Foda-se, eu me pago (eu me pago, eu me pago, eu me pago)
Eu me pago (eu me pago, eu me pago, eu me pago)

A faixa utiliza termos como ‘cifrão’ para se referir ao dinheiro, evidenciando a busca por prosperidade, e a expressão ‘Preto com grana é uma revolução’, que destaca a importância social e o impacto do sucesso financeiro para a comunidade negra, desafiando narrativas limitantes. O termo ‘menorzinho’ aparece para se referir a crianças ou jovens, transmitindo um tom informal. Há também a crítica a ‘falso código’ e ‘motivos mornos’, que indicam informações enganosas ou falta de convicção genuína. A expressão ‘foda-se, eu me pago’ reforça a ideia de autossuficiência e dignidade, onde o eu-lírico afirma seu valor e capacidade de se sustentar ou de bancar suas próprias vontades e ambições, desafiando a dependência externa.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música