Iligrum (part. Baco Exu do Blues)

Descrição

A faixa mergulha fundo na dura realidade das ruas, onde a autenticidade e a experiência valem mais que qualquer pose. A narrativa é um aviso para quem tenta se passar por esperto, destacando a diferença entre falar muito e realmente viver o corre. O eu lírico exala confiança e periculosidade, descrevendo um ambiente de constante vigilância e prontidão para o confronto, onde a lealdade ao grupo é inabalável. Há uma crítica direta aos que se exibem com símbolos de poder, mas não conhecem a real batalha. A letra revela o peso da sobrevivência, a tentação do crime e a inescapável lei da favela, culminando numa atmosfera quase mística de poder e resiliência, onde apenas os verdadeiros ‘bruxos’ prosperam.

An, an
Difideliz
An, an
Illi, yeah
Illi, illi, illi, yeah
Illi, yeah
Illi, illi, illi, yeah
Illigrum
Illi, illi, illigrum

 

Tá ligado que é o bonde, né
Os moleque tá com placa
Não sou de deixar recado
Só rajada, zé
Tô de glock na cintura
Filho da puta procura
Mas o bonde tá de fúria
É só rajada, zé
Ó, an
Já vi muito moleque no morro
Tendo que fazer suas preces
E de passar sufoco, carai
Dinheiro é uma praga
Que eu desejo a todos que não merece
Cê se garante muito
Bate no peito que é pá
Na hora do gatilho eu quero ver
Quem vai ficar
Agora cê tá falando fininho
Pisando no sapatinho
Eu quero ouvir sua versão sem gaguejar
Porra
No corre da voz só pra somar
Que hoje eu trouxe essa aqui cê nunca pensou em pisar
E cê acha que tirar foto com arma representa
Sua quebrada
Já subi várias e nunca te vi lá
Não pisca, filho da puta, tó
Já vivi muito coisa
Pra vocês querer vir falar pra de mim de dó
Meus corres eu fiz sempre só
Confesso que já tentei atirar um dia
Me afogar no pó, tó
Pode subir lá, me procurar
Só não vou te garantir que depois você vai voltar
A favela tem uma regra
Que mata e morre por ela
Sobrevive dentro dela
Antes dela te matar
Cês quer vim falar de procede
Tem uns que aprende só depois que sabe que nasce pra morrer
Cês até pensaram em me fuder
Mas eu já fui o máximo de coisa que cês nunca vai ser
Illigrum
Illi, illi, illigrum

 

Quem conhece a guerra
Conhece o peso da Terra
Atlas, franco atirador não erra
A vida é uma vadia franca
Preconceito, asa, vadia branca
Menor de doze com uma doze
Doze quilos da branca
Se eu quebro a taça
Boto na tua garganta
Na tua garganta
Passa o Jordan e camisa Supreme
Quem conhece as ruas nunca treme
Cigarro, dedo, dá e ela geme
Fuga pelo centro, corre, PM
Mais de trinta nêgo
Passando vulto
Magia negra
Bruxos do culto
Mais de trinta nêgo
Passando vulto
Magia negra
Bruxos do culto
Mais de trinta nêgo
Passando vulto
Magia negra
Bruxos do culto
Bruxos do culto
Bruxos do culto, rá
Esse é o meu ritual culto

Na letra, ‘bonde’ refere-se ao grupo ou à galera unida. ‘Placa’, nesse contexto, pode indicar reconhecimento ou alguma identificação específica do grupo. ‘Rajada’ descreve o disparo contínuo de tiros, e ‘corre’ é a labuta diária, o esforço para sobreviver ou as atividades ilícitas. ‘Quebrada’ é o bairro, a comunidade de origem, e ‘pó’ é uma gíria para cocaína. ‘Procede’ significa ter conduta autêntica e ser respeitado nas ruas. As expressões ‘menor de doze com uma doze’ e ‘doze quilos da branca’ pintam um cenário de jovens armados com espingardas calibre 12 e o tráfico de cocaína (‘branca’). ‘Jordan’ e ‘Supreme’ são marcas de streetwear que denotam status. Por fim, ‘bruxos do culto’ é uma metáfora para um grupo seleto, poderoso e com profundo domínio das dinâmicas do seu ambiente.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música