Descrição

A faixa mergulha fundo na complexidade da criação e da existência, onde a angústia é a matéria-prima para versos que desafiam. É uma jornada introspectiva que celebra o amor como motor principal, mesmo quando a vida apresenta suas cicatrizes e desafios. O eu-lírico se revela um “inconformado”, alguém que encontra alívio e propósito na arte de rimar, transformando dores em desenho. A música navega pela dualidade da lucidez e da revolta, criticando abertamente o moralismo superficial e as hipocrisias. Há uma forte afirmação da individualidade, do prazer na inquietude e da vontade indomável, buscando uma liberdade que transcende definições, sempre defendendo sua verdade e os seus.

Degustando a angústia, escrevo sem base
Em horas de catarse aproveito uma frase
Muita lapidação e tá pronta a versão
Do ponto de vista que te afronta
À pampa sem caô, ideia no tambor
Cicatrizes, tô aqui, paixão
Catete, Laranjeiras, sou da Tudubom
Como doença controlável, incurável
Com excesso de percepção insuportável
Pelo sorriso da bonança mansa
E o paraíso da ignorância
Traga whisky, cerva, nhacoma
Aqui meus olhos fecham pra enxergar
Mais uma, duas, três, apaga, tenta conter
Eis a lucidez da divina revolta

 

Crio o meu desenho
Amor é tudo que eu tenho
No rap decolo sorrindo
Vivo do alívio em cada verso que eu choro
Crio o meu desenho
Amor é tudo que eu tenho
Um significante de uma margem distante

 

Acertos crucificados, erros idolatrados
Só os que têm a dizer, somos desequilibrados
Eu vim da Tudubom, tudo bem, tá ligado
A fluidez da luz dos inconformados
Pelo crescimento interior do errante
Cerveja, cigarro, T-Ré, calmante
Um libertário ingovernável
Prazer na inquietude, vontade indomável (oi)
No frio, um quente; no calor, um fino
Sensação no peito, frieza no raciocínio
Cadê a grandeza que a gente nunca alcança?
Autoafirmação: Nossa insegurança
O caminho é medonho, escravos dos sonhos
Andamos sempre risonho, queira ou não
Com pensamento estranho
Esse é o meu desempenho
Amor é tudo que eu tenho
Vem tudo do coração, Tudubom

 

Crio o meu desenho
Amor é tudo que eu tenho
No rap decolo sorrindo
Vivo do alívio em cada verso que eu choro
Crio o meu desenho
Amor é tudo que eu tenho
Um significante de uma margem distante

 

Mesmo com alguns problemas
Sujeito a delírio e reações extremas
Mente aventureira, alma inquieta
Às vezes louco por aí, é isso que me resta
Julgue o beck que eu fumo, o copo que eu tomo
Tudo que eu consumo, a mina que eu como
Diga que eu sou o demônio, me mostre sua cruz
Promova a escuridão, alegando ser luz
Covarde, conversa pra criança
Ideia vencida, seu moralismo cansa
Eis mais um louco com a mão no microfone
Liberdade é pouco, o que eu quero não tem nome
É natural eu receber vaia dos seus
Quem vive a poesia, cobaia de Deus
Ohh, uhh, yeah
Eu tô pelos meus

 

Crio o meu desenho
Amor é tudo que eu tenho
No rap decolo sorrindo
Vivo do alívio em cada verso que eu choro
Crio o meu desenho
Amor é tudo que eu tenho
Um significante de uma margem distante

 

Crio o meu desenho
Amor é tudo que eu tenho
Hãã
Oh, oh

A letra apresenta algumas gírias e termos culturais: ‘sem caô’ significa “sem mentira” ou “de verdade”, reforçando a autenticidade; ‘à pampa’ denota “em grande quantidade” ou “à vontade”, indicando abundância. ‘Tudubom’ é um termo cultural que aponta para um coletivo, crew ou selo musical, sinalizando pertencimento e origem no cenário do rap/trap. ‘nhacoma’ é uma forma informal de se referir a comida ou um lanche. ‘T-Ré’, no contexto de outras substâncias mencionadas, parece ser o nome de alguma droga ou medicamento específico. Por fim, ‘beck’ é a gíria para um cigarro de maconha.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música