Descrição

A faixa nos imerge em uma narrativa crua e intensa, onde o protagonista, inicialmente otimista, vê seus planos de um golpe fácil desandarem em um tiroteio inesperado. O palco é a prisão, onde ele se sente abandonado pelos amigos de outrora, enfrentando a solidão e a falta de apoio. Conselhos de um companheiro o encorajam a encontrar refúgio na arte, a compor e cantar, mas sempre alerta para os perigos do ‘corre’. Ele lamenta erros passados, mas demonstra uma resiliência notável, determinado a encarar as consequências e buscar sua parte na vida. A saudade da família e da quebrada é um tema constante, contrastando com a dureza das ruas. A história se aprofunda nos riscos do crime, com a perda trágica de um amigo e a perseguição policial que, no fim, sela seu destino, deixando o ouvinte em suspense sobre o futuro.

Tava tudo bem, vai dar tudo bom, comemorar meu motivos
Pra aquela cena de um louco, pra contar um troco, sair escondido
Mas num deslizo de um truta, saio uma intensa trocação de tiro
Parece que eu tava persentindo, que algo ia acontecer comigo
Condenado dez de ponta, a mente chapa e desaponta
Se ter uma companhia daquela que diz que me ama
Cade os truta e a branca?
Que fechava no copo me esqueceu na tranca
Nenhum jumbo, uma carta, visita no fim de semana
Passa o tempo e eu me sinto só
O parça diz: “Conversa que é melhor”
Jogo uma bola, escreve uma letra
Eu sei que ‘cê canta funkão menor
Só não vai pra grupo que o fim é pior
Pensar no mundão agora é B.O
‘Cê vai tirar de letra
Mas tem na ciência o sistema não vai ter pena
Não só digno de dó
Errei e tô pagando pelo ato
Talvez se me desse uma chance
No trampo eu não tava trancado
Mas nem vou remoer o passado
Vou tirar minha cota desse lado
A saudade aperta e alágrima rola no rosto de mais favelado
Caminhou no pátio, quem dera se fosse da escola
Com a mente a milhão, pensei na coroa e como tá tudo la fora
Um rastreio, um truta que eu conheci fazendo as batida daora
Solta um biriri

Calma aí, calma aí, calma aí
Ó, quem chega?
Ó maloqueiro, forte abraço mano, é o Pelezinho aqui desse outro lado, mano
Caralho, logo o Pelezinho, logo o Pelezinho na linha, e aí zóio?
Ó, forte abraço irmão, como é que tá aí a situação, mano?

Como é que tá? Ligo o parceiro e conecta
Fala quem lembra da cara dos cara que desceu no bote de Vectra
Mais de dez tiros, dois corpo na mala alguém baleado do lado de cá
Memo’ com isso eu não posso parar, vou ficar rico ou vou morrer tentando
Então corre, go, dispenso B.O no corre, go, implica na mata
E marcha, marcha, o corre é louco e não é pouco
Nesse pré o dia da caça, traça um plano pra mudar de rota
Troco o que te avança duas casa’, mó com troco deixa pras crianças
Manda a cota lá do meu gravata, ligo alma espera lá no 12
Tô voltando sentido quebrada
O magrão ficou pelo caminho
Como avisa a coroa ou a cunhada?
Deixou uma filha recém nascida
E um pai doente acamado
Do meu lado caiu baleado
Nem ao menos pude fazer nada
No meu peito coração dispara
Vinte metros entro dentro da quadra
Eu vou no Civic e a grana no Astra
Minha parte mais que concretizada
Mas a fita tinha sido dada
Eu já tava tão perto de casa
Giroflex, arma engatilhada
Seja oque Deus quiser

Alô?, E aí parceiro?, E aí meu truta?
Alô?, Alô!?, E aí meu parceiro?, Vish, e aí truta?

A letra é rica em gírias e expressões do universo periférico: ‘chapa e desaponta’ descreve a mente que fica entorpecida e depois frustrada; ‘branca’ refere-se à cocaína; ‘fechava no copo’ indica amizade de balada ou festas; ‘jumbo’ é um cigarro grande de maconha; ‘funkão menor’ designa o funk feito e consumido por jovens; ‘mundão’ é uma forma de se referir ao mundo lá fora, com suas dificuldades; ‘tirar minha cota desse lado’ significa obter seu lucro ou o que lhe é devido, mesmo em um contexto ilícito; ‘coroa’ é um termo carinhoso para mãe; ‘rastreio’ é a ação de monitorar ou procurar; ‘biriri’ simula o toque de um telefone ou aviso; ‘maloqueiro’ descreve alguém com estilo de vida marginalizado; ‘bote de Vectra’ alude a uma ação criminosa usando um carro Vectra; ‘corre, go’ representa a vida agitada do crime; ‘pré o dia da caça’ indica o planejamento para uma ação criminosa; ‘mó com troco deixa pras crianças’ significa que lucros pequenos são para os inexperientes; ‘gravata’ pode se referir a alguém influente ou um intermediário financeiro; ’12’ é um ponto de encontro específico; ‘quebrada’ é um bairro periférico ou favela; e ‘fita tinha sido dada’ denota uma delação ou traição, e ‘Giroflex’ as luzes da viatura policial.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música