Descrição

A faixa nos joga direto nas cicatrizes de uma vida marcada pela escassez, onde o álcool e o desemprego quase destruíram o lar e a violência era parte do cotidiano. O narrador expõe a ambivalência da ascensão de poder e do dinheiro, uma armadilha e um refúgio para quem veio do “nada”. A experiência de crescer em uma “guerrilha” de sobrevivência forjou uma ambição incansável, mas trouxe consigo a pesada responsabilidade de ter “tanta coisa pra perder”. Há uma clara rejeição à pobreza, vista sem nobreza, preferindo a riqueza como forma de encarar os desafios com alguma dignidade, mesmo que não resolva todos os problemas. A letra critica os “malefícios do dinheiro”, especialmente para um homem negro, e a busca pelo “sonho americano” em um sistema muitas vezes opressor. É um manifesto de combate, honrando a luta dos antepassados, reconhecendo o dinheiro como um “mal necessário” e declarando a proteção ferrenha do que foi conquistado.

 

LEALL, LEALL

Eu vi o álcool, o desemprego, quase destruir minha casa
Eu vi o medo, eu vi vidas sendo ceifadas
Eu conheço o preço e a palavra
Os malefícios do dinheiro pra quem se criou no nada
Na mente de um suburbano
Ascensão de poder é mais uma armadilha
Entre assaltantes de banco
Tráficos e contrabandos
Eu cresci na guerrilha
Agora eu tenho tanta coisa pra perder
Muita gente esperando meu sim
É que isso pode causar o meu fim
Talvez por isso eu só pense em crescer
Eu vejo tanta gente ao meu redor com medo
Vários ficando pelo caminho
Nesses momentos que Deus diz pra mim
Esse é o motivo de eu escolher você

Não existe nobreza na pobreza
Eu já fui um homem rico e eu já fui um homem pobre
E eu escolho a riqueza toda santa vez
Por que pelo menos sendo rico
Quando eu encaro meus problemas
Apareço no banco de trás de uma limousine
Vestindo um terno de 12 mil dólares
E a porra de um relógio de ouro de 40 mil dólares

Malefícios do dinheiro
Na mente de um homem negro isso é um carma
Lidando com trauma eu compro outra futilidade
Eu finjo que nada me abala
Calor nos dedos, atrás do sonho americano
Todos atrás de uma prata
Necessidade e nome do Serasa (Yeah)

Que esse sistema sujo jamais corrompa minha mente
É que eu vou morrer atirando, eu sou um combatente
Igual meu avô que trabalhou a vida inteira
E morreu no caminho de casa só depois do expediente (Yeah)
Por esse pão pra comer
Por esse chão pra dormir
Deus lhe pague
Você pode enriquecer, os problemas não vão sumir
Você precisa de um álibi
Apenas peças de uma grande engrenagem
Eu faço essa merda
E se eu quebro essa regra é válvula de escape

É que essa porra é um mal necessário
Esse é o sistema que você nasceu
E se é apenas um papel bordado
Ai de quem tentar encostar no meu

A música utiliza termos como “se criou no nada”, que significa crescer em extrema pobreza, e “guerrilha”, uma metáfora para a vida de constante luta e sobrevivência. A expressão “calor nos dedos” evoca a sensação de ter dinheiro ou o fervor da busca por ele, enquanto “atrás de uma prata” denota a caça incessante por riqueza. “Nome do Serasa” é uma alusão direta à restrição de crédito, um problema financeiro comum no Brasil. O eu-lírico afirma “morrer atirando”, ou seja, lutar até o fim, e menciona “pão pra comer, chão pra dormir” para descrever a busca por necessidades básicas. “Mal necessário” aponta para algo indesejável, mas indispensável, e “papel bordado” é uma referência poética ao dinheiro, às notas.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música