Asfalto do Catete

Asfalto do Catete

Letra Significado

Descrição

Asfalto do Catete", uma faixa de Filipe Ret, é uma imersão profunda na nostalgia agridoce e na dura realidade de um passado marcado por perdas e transformações. A composição explora a saudade intensa e a dor da partida, rememorando sonhos juvenis de sucesso no funk e de dominar o bairro, em contraste com a brutalidade do "mundo escroto" que rouba a inocência e ceifa vidas. A faixa narra a transição de brincadeiras inocentes e 'becks' compartilhados para um cenário sombrio de crime, prisões e dependência, onde amigos se perdem e as aspirações viram lamento. Retrata a metamorfose do Catete, de um lugar de "paraíso chapadão" para um ambiente onde a juventude é "internada". É um retrato pungente da desilusão e da crueldade da vida nas ruas, onde a inocência é corroída e o asfalto guarda histórias de perdas irreparáveis.

Letra

Catete zu
Catete zu
Catete zu
Catete zu
Catete zu
Catete zu...
Ei (ãhm)
Saudade é foda a dor que fica perto peito aqui
Me divide pela metade a cada um que vi partir
Lembrei do sonho de fazer um funk bolado
Ganhar dinheiro há doidado um dia ser o dono do bairro
Foi ontem, época de praça geral louco
Subconsciente grava imagem sangue e amigo morto
Mundo escroto que, amputa inocência a gente aceita
Sempre pacientemente o beco é escuro, estreito, torto
Começou num beck a brinca quando ainda ninguém
Visava nada além de tinta e gataria
Água limpa no brejo tinha eu lembro irmão
Enxergava o paraíso chapadão jogando altinha
Mais a idade bate e a validade grita
Quem tem base sobe quem não tem se fode e fica
Neguinho queria a fita, bagulho bolado
Bike virou carro, que virou supermercado
Olho cresce na medida em que aparece joia
Catete lapa e glória o bonde lá é foda
Aron cade você?
Rogério na cadeia chora
Junto com dropê, que taria muito melhor jogando bola
E ficou pra contar historia um milhão de parada
Treta seria asfalto quente varias guia arrebentada
Aqui ninguém tá mais em casa catete é o piripaque
O que era beck virou crack e a juventude tá internada
Catete zu

Gírias

"Catete zu" é uma espécie de lamento ou som característico associado ao bairro, que pode expressar tristeza, caos ou a realidade turbulenta daquele lugar. "Gataria" refere-se a um grupo de jovens mulheres. "Altinha" é um jogo popular em que se mantém uma bola no ar usando apenas os pés, cabeça e peito, comum em praias e parques brasileiros. A expressão "Neguinho queria a fita" indica o desejo de alguém se envolver em esquemas ou oportunidades ligadas ao crime ou à vida nas ruas, buscando lucros. Por fim, "piripaque", ao descrever o Catete, sugere que o bairro está em um estado de colapso, caos ou desordem generalizada, como um surto repentino.

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