Descrição

A faixa é um grito de guerra, um soco no estômago da hipocrisia. A voz da música confronta diretamente aqueles que pregam do alto de seus pedestais, alheios à realidade brutal das ruas e à “cara de fome” dos esquecidos. Ela se posiciona como a anti-heroína, a materialização do medo e da verdade incômoda para os poderosos. Com versos afiados, ela expõe a superficialidade e a covardia, revelando como a miséria dos subalternos é a base do conforto de poucos. A narrativa transborda empoderamento, celebrando a identidade “favelada” e “preta” com respeito e mostrando que, mesmo solitária, sua essência de “bruxa” é uma força inquebrantável contra um sistema corrupto e performático. É um recado direto: a verdade vem à tona, e as mentiras não se sustentam.

 

Ahn

Qual termo define esse herói que não salva? (Ahn)
Minha mente não capta, queria e não tô apta (mhm)
Ouvi você do seu altar de pedras que brilha
Você me ensina do seu pedestal, belas palavras
Vejo de baixo pra cima, não que eu entenda
Talvez não concordo, será que daí dá pra ver minha cara de fome?
Você diz pra te escutar, mas aqui fora é outro ar
Aqui nas ruínas só trombocos rato

Entre os beco eles falam a nossa língua
Chama eu pelo nome, dá um nó
Conta histórias que envolvam, deixa eu dar um cor
Me explicar porque eu sou pó, a lei do mais nó
Ajuda que eu conforme, me faltou foi só
Vou fazer meu papel, é tudo que sobra
Todo lado dos anti-heróis
Sou seu pesadelo, aquela angústia que corrói
Faço sangrar seu ouvido, eu sei a verdade dói
Serenetei, remoque, deixa sua perna bamba
Toque, toque sua cobrança
Trabalhosa, violenta, estrangulo sua soberba
Olhando no olho, de onde venho, isso é pouco
Vital pra sobrevivência, nenhum perfume camufla
Você respira, exala a covardia
Farejo seu medo, enche o cu de droga
Sente eu cada vez mais perto, moro na sua paranoia
Sabe que a verdade vem na melhor hora, aham (aham, aham, aham)

Miséria adora companhia, por isso sou solitária
Assistindo atraso, mas o tempo nunca para
Na feira carrega caixa, e no eletro, eletrônico
Plano, onde imagem corre, joga banana, explode
Primeiro mata, não, e mata a conta (não, não)
Depois da espada, uso sua arma
Agora desmonta, sentido contrário
Como vencer e favelada
Como preta e respeitada
Como contrato e palavra
Mas não com morte e piada
Rima e metal, função e papel
Nosso inferno a base do seu céu
Telefone, me dão dinheiro ou pedem
Notas igual bexigas furadas, óbvio não é fato
Mestigas furadas, óbvio não é fato
O mundo não é sobre o que você sabe
Se é um vivo, é um mundo à parte
Quem nunca ouviu que: Qualquer tamanho é o dobro da metade
E tem que ver se a gente vai ser
Compatível em todas as fases
Passam ciclos, anos, novas pessoas
Somos amigos de anos, viraram oposição
Não tem mais o que me surpreenda
Às vezes acho que tô numa conversa
Confesso e descubro que tô numa venda
É que eu vejo protestos seguidos de link de autopromoção
Em vocês não confio, sorrio e aceno
Mas repara, cês tão sempre falando sozinho
E pra mim é porra nenhuma
Seu currículo, e a indústria
São seus amigos de infância
Seus amigos de infância
Eles tremem, parece dança
Story chorando, mas não engana
Sujos, banho não limpa
Banho não limpa
Vocês são buchas, seu sorriso
Esconde o medo, eu sou a bruxa
Seu pesadelo, Serena e Vênus
Uma em um milhão, mas só que duas
Um milhão, mas só que duas

A faixa traz termos como “trombocos rato”, referindo-se a encontros com pessoas da rua, malandras ou que vivem à margem; “dar um nó”, que aqui significa criar uma conexão íntima ou dar sentido a algo; e “dar um cor”, para adicionar contexto ou vivacidade a uma história. A expressão “sou pó” transmite a sensação de insignificância, enquanto a “lei do mais nó” subverte a “lei do mais forte”, aludindo a uma realidade complexa e desafiadora. “Serenetei, remoque” descreve uma provocação verbal mordaz, enquanto “enche o cu de droga” é uma acusação agressiva de covardia e escapismo. “Mata a conta” é um jogo de palavras para resolver problemas ou desmantelar o sistema que os gera. A expressão “notas igual bexigas furadas” (ou “mestigas furadas”) descreve promessas ou valores vazios. Por fim, “buchas” designa pessoas manipuláveis ou descartáveis, e a personagem se identifica como a “bruxa”, um arquétipo de poder temido e incompreendido, que confronta e assombra seus oponentes.

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Significado da Música