Descrição

Essa faixa nos leva para um sonho utópico, onde a realidade da quebrada é transformada em um cenário de paz e prosperidade. O eu-lírico descreve uma vizinhança vibrante, livre de violência e carência, onde a infância é marcada pela alegria genuína e as famílias prosperam, com bens luxuosos e amigos que usam balaclava por estilo, não por necessidade criminosa. A narrativa celebra a dignidade, a liberdade financeira e o respeito, contrastando com a opressão e a desigualdade do cotidiano. É um desejo profundo de transformar a realidade, onde não há desgraça na TV, os jovens têm futuro e ninguém é explorado. A música é um grito por um amanhã onde a paz interior não seja roubada por pesadelos reais.

Yeah, eu tive um sonho (ahn, ah-ahn)
(Re-tro-boy)
Eu tive um sonho
Let’s go, let’s go, let’s go
Tá valendo?
Yeah

 

Eu tive um sonho, eu tava na minha quebrada
Três hora da tarde, uma tarde ensolarada
Futebol no campo, muita paz pa criançada
Sorriso no rosto como se nunca faltasse nada

 

Meu pai de carro zero, yeah, ainda tá sem placa
Minha mãe com uma bolsa cara
Que se pá, era da Prada
O mano que estudou comigo, ele não traficava
Era só pelo estilo que ele usava a balaclava

 

Aqui a bala não come
O bicho não pega
O ego não manda
Minha vó não parcela
Compra sem cautela
Voo sem pensar na queda
Geral comprando mistura
Sem ter que contar moeda

 

Já tava escurecendo, mas trombei um mano de cota
Usaram roupa de playboy, tocaram uma meiota
Ele me chamou pro pião, eu na mó disposição
Colei no shopping simplesmente pra gastar umas nota
E lá eu não era cobrado (nah)
Não ignorado (nah)
Não tive que abaixar a cabeça pr’um bando de boy safado
Deixei pousada aquelas mina
Que só sai com quem tem carro
Ahn, ou com quem tem moto (oh)
Ou quem não tá quebrado
Voltamo praa vila e o que era trapo virou roupa nova
Do tipo não precisa de cesta básica, tem banquete pa toda senhora
Tipo que ia virar trauma pra criançada virou gargalhada
Olhava à minha volta e não via uma parede sem reboco, tão todas pintadas
Olhava na TV do bar e não tinha desgraça passando na tela
Criança assistindo desenho, as coroa assistindo novela
Os moleque tava desempenho
Os moleque não tava na cela
Ninguém acordava cinco hora pra trabalhar e no fim receber uma merreca

(Eu tive um sonho, eu tava na minha quebrada)
Eu tive um sonho, eu tava na minha quebrada
Três hora da tarde, uma tarde ensolarada
Fute-futebol no campo, muita paz pa criançada
Sorriso no rosto como se nunca faltasse nada

E que não falte nada pra mim e pros meus iguais (iguais)
Quantos pesadelos verdadeiros tiram minha paz? (Paz)
Eu tive um sonho e eu tava na quebrada
Eu tive um sonho e eu não quero acordar mais (mais)

Na letra, ‘quebrada’ designa o bairro periférico ou a comunidade do eu-lírico. As frases ‘a bala não come’ e ‘o bicho não pega’ expressam a ausência de violência ou problemas sérios, enquanto ‘mistura’ se refere à proteína da refeição, um item caro e muitas vezes escasso em lares de baixa renda. ‘Mano de cota’ é uma gíria para uma pessoa respeitada ou que obteve sucesso dentro da comunidade. ‘Meiota’ designa uma motocicleta potente e ‘pião’ significa um passeio ou rolê. ‘Boy safado’ é usado para se referir a jovens ricos e arrogantes, e ‘deixei pousada aquelas mina’ quer dizer que ele ignorou ou desdenhou daquelas garotas. Por fim, ‘trapo virou roupa nova’ simboliza a transição da pobreza para a dignidade, e ‘cesta básica’ alude aos kits de alimentos essenciais distribuídos como auxílio social.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música