Oh Senhor (part. MC Fr da Norte)

Descrição

A faixa é um hino de superação e resiliência, narrando a jornada de quem transformou cicatrizes em troféus. A melodia serve como um lembrete poderoso de que as adversidades, as falhas e os desafios do passado são a prova viva de uma vitória conquistada a pulso, algo que nenhum dinheiro pode comprar. Através de versos viscerais, a letra mergulha nas memórias de uma infância difícil, marcada por privações e a dureza da quebrada, onde a pureza se dissolveu em um mar de ódio e lições. O narrador se posiciona contra os “boyzão” e os que duvidam, ostentando sua origem humilde e o caminho percorrido para alcançar o sucesso, tirando a família da miséria e celebrando cada conquista como um gol. É uma celebração da força interior e da capacidade de reescrever a própria história, deixando a nave estacionada na quebrada como prova de que o jogo virou.

Deixa eles desmerecer
Que a vitória vai chegar
E a cicatriz que eu carrego comigo
É um troféu que eles nunca vão poder comprar

 

Então deixa eles desmerecer
Deixa esses boyzão falar
E a cicatriz que eu carrego comigo
É um troféu que eles nunca vão poder comprar

 

Ó Senhor, eu reconheço, eu sou falho
Mas pode pá que eu sou moleque bom
De chinelo na quebrada
Aproveitei pra ora com o pé no chão
Lágrima caiu do olho
Quando eu fui lembrando das tiração
O tempo passa e na base do soco
O mundo esculpiu meu coração
Quando menor, eu era bom
Mas se pá que o sorriso foi com o vento
Joga o moleque pureza numa piscina
De ódio, e veja ele dissolvendo
Tipo abrir a geladeira e não ter
Fecha o coração pra não sentir
Senão outra lágrima vai ter que escorrer
Quebra a cara, o moleque da roupa rasgada
Quase lançando uma nave sem placa
E pra confirmar que o mundo girou
Vou deixar estacionada no pé da quebrada
É que meu futuro cala o sofrimento
O meu passado é tipo uma ferida de cota
Que ainda não estancou o sangramento
Várias fitas e uns arrependimentos
Várias noites encaram um pensamento
Arrepia a lembrar do dia
Que eu tava pedindo e se pá que hoje eu tenho
Hoje eu posso, tudo nosso
Mas não é simplesmente ganhar
Eu era mais um barco de papel
Mas um dos únicos a enfrentar o mar

 

Deixa eles desmerecer
Que a vitória vai chegar
E a cicatriz que eu carrego comigo
É um troféu que eles nunca vão poder comprar
Então, deixa eles desmerecer
Deixa esses boys vão falar
E a cicatriz que eu carrego comigo
É um troféu que eles nunca vão poder comprar

 

O sentimento é ódio
O meu peito transborda só ódio
Eu mesmo que cresci no destroço
Vendo meu herói se tornar vilão
Se afundar no pó da paulada no olho é foda
Desde menorzão na boca vendi droga
Só decepção desgostei minha senhora
Boa parte da infância passei na fundoca
Hoje nós saca a miliduca, leva a vida de artista
Joga a puta na garupa
Joga as pedala na mídia
Faz a boa pra família
Minha senhora
Não mora mais no barraco da favela
Não limpa mais privada de boy
Nem deposita fé na telessena
Meu pai saiu da rua, virou boy
Tirei do pó, joguei na fazenda
Só tô fazendo a minha
Tô fazendo a minha conta

 

Na loja contei moedinha
No funk na conta em dólar
Terror da panelinha
Deus escreveu minha história
Na loja contei moedinha
No funk na conta em dólar
Terror da panelinha
Deus escreveu minha história

 

Deixa eles desmerecer
Que a vitória vai chegar
E a cicatriz que eu carrego comigo
É um troféu que eles nunca vão poder comprar
Então, deixa eles desmerecer

 

Deixa esses boyzão falar
E a cicatriz que eu carrego comigo
É um troféu que eles nunca vão poder comprar

A faixa traz uma riqueza de termos que pintam um retrato vívido da realidade das ruas. “Boyzão” refere-se a jovens ricos e muitas vezes arrogantes. “Pode pá” é uma gíria de confirmação, sinônimo de “com certeza”. “Quebrada” designa o bairro, a comunidade, geralmente de origem humilde. “Tiração” alude a provocações ou zombarias. “Se pá” é uma abreviação para “talvez” ou “quem sabe”. “Nave sem placa” simboliza um carro de luxo, uma conquista. “Ferida de cota” fala de uma dor antiga, de longa data. “Várias fitas” significa muitas situações ou problemas. “Miliduca” é um termo para dinheiro. “Joga a puta na garupa” descreve um estilo de vida ostentador, com mulheres e luxo. “Joga as pedala na mídia” sugere mostrar suas conquistas ou atitudes publicamente. “Boca” neste contexto se refere a um ponto de venda de drogas. “Fundoca” é uma parte mais isolada ou profunda de um lugar. “Telessena” é um título de capitalização popular no Brasil, símbolo de esperança de sorte para os menos favorecidos. “Tirei do pó” significa resgatar alguém da miséria. Por fim, “panelinha” é um grupo fechado, um clã, e ser o “terror da panelinha” é desafiar esse status quo.

PRÓXIMA MÚSICA:

Significado da Música